Esportes

FUTEBOL – o esporte que atravessa gerações no Rio Cricket

  Paixão nacional no Brasil e no mundo, o futebol chegou ao Rio Cricket, em 1898, pelas mãos de Oscar Cox, filho de um dos fundadores do clube. Três anos depois, em 1901, o então Rio Cricket and Athletic Association entraria para a história como o primeiro a organizar uma partida de futebol no Estado. O time da casa jogou contra o chamado Paysandu Cricket Club em um jogo bem equilibrado, que terminou com o placar de 1 x 1.

  Portando o título de berço do futebol no Estado, o Rio Cricket Associação Atlética repercute ainda hoje a história de suas origens, sobretudo, a de seus fundadores oriundos da Inglaterra. De fato, o esporte é um capítulo à parte neste clube com trajetória marcante na cidade de Niterói. E pensar que, no passado, o esporte foi preterido pelos ingleses por acharem que este concorreria com o críquete, uma tradição no século XIII, muito praticado nos campos do clube.

  A tradição do futebol se perpetua com os times compostos por sócios jogadores que usufruem do maravilhoso campo do clube e se organizam em partidas que acontecem em dias específicos da semana (informações no quadro). Os times do Rio Cricket são Sub-7, Sub-9 e Sub-13; Primeiro Time; Segundo Time; UP30; Veteranos Madeira; Racha, e Time do Chico.

  Um dado peculiar na história do futebol no Rio Cricket é que seus sócios possuem uma sólida amizade construída graças à prática do esporte. Muitos deles entraram no clube através da sua famosa escolinha e passaram pelos vários times da casa ao longo dos últimos 50 anos. Os jogadores do UP30, na faixa etária dos 30 a 40 anos, são um bom exemplo. Eles se conheceram aos 10 anos e jogam futebol até hoje. Além disso, alguns deles fizeram carreira nacional e até internacional no esporte.

  Essa promessa de revelar novos nomes se mantém através da escolinha de futebol do Rio Cricket, a Sub-07 e a Sub-09, totalmente dedicada ao treinamento de sócios mirins e também aberta ao público. O seu papel, além de formar novos jogadores, é lançar talentos e garantir a perpetuação do esporte dentro do clube.

Sobre a “menina dos olhos”

  O campo de futebol do Rio Cricket sempre foi a “menina dos olhos” dos seus sócios, amantes do esporte. No começo do século XX, essa ideia era ainda mais evidente pela simplicidade das suas instalações, sendo chamada de pavilhão a cabana totalmente despojada de qualquer tipo de luxo. Conforme trecho do livro Rio Cricket e Associação Atlética – mais de um século de paixão pelo esporte, “os encontros esportivos ou as happy hours depois do trabalho, sempre regados a whisky ou chá, não exigiam conforto exagerado ou luxo – bastavam que proporcionassem um abrigo e um lugar para sentar e apoiar o copo ou a xícara”.

  Hoje a nova sede, totalmente debruçada sobre o campo, permite uma visão ampla do mesmo e a oportunidade de vislumbrar as partidas mais sensacionais de seus jogadores e de times visitantes. Sim, o Rio Cricket recebe visitantes para jogar e, para isso, é preciso que o capitão do time de fora faça um contato com o capitão de um dos times do RCAA. Após uma análise será decidido contra qual time da casa os visitantes vão jogar. Na realidade, como é evidenciado por todo o amante do futebol, o grande sonho é pisar nesse campo bem tratado e de proporções grandiosas, que já sediou as mais históricas partidas do esporte.

Características dos times

SUB-07 / SUB-09 / SUB-13

  Com a missão de formar novos jogadores e garantir a perpetuação do esporte dentro do clube, foi criada, no final de 2014, a escolinha de futebol do Rio Cricket. Sob a coordenação de Kadu Côrtes e tendo como professor responsável Nelio Vitor Campos, ela é composta em sua maioria por filhos de sócios do Rio Cricket e por uma minoria de não sócios.

  As escolinhas, que acontecem aos sábados, vêm cumprindo desde então um papel fundamental na formação de uma nova geração dentro do clube. Ao longo das aulas as crianças, com idades que variam dos seis aos 11 anos, têm aprendido as artimanhas do esporte.

  Em paralelo às aulas, o pai dessa criança está em campo defendendo o seu time nas partidas entre sócios ou times visitantes, e a mãe no tênis ou no beach tennis. No momento, o grupo de até sete anos tem 15 componentes, enquanto o acima de sete e que abrange até os 10 anos está com 25 a 30 meninos. Cerca de 70% desse número é composto por sócios, sendo os 30% compostos por algumas crianças amigas de sócios, que foram aceitas na escolinha.


Primeiro Time

  A estreia em campo do “Primeirão”, nome carinhoso dado ao time, aconteceu, em 1901, tendo no comando Oscar Cox, também responsável por apresentar o esporte aos sócios do Rio Cricket.

  Desde então, ao longo desses 116 anos de tradição, muitos craques defenderam o clube do coração, podendo citar nomes que constam nesse resgate histórico. Atletas como Mutzembacher e Calvert que estiveram à frente do time do RC&AA e também serviram a uma das primeiras seleções brasileiras. O centroavante Eduardo Donamari, exímio cabeceador; Ian Turnbull, um canhão nas jogadas de esquerda, entre outros, como Carlos Ary, Rubens Ferrah, Sílvio Parodi, Chico Massa, Walter Chaffin e o considerado lendário Cláudio Zanata.

  E a lista não para por aí, com nomes como o de Nélio Bastos (excelente armador), os irmãos Ronaldo e Ricardo Côrtes, Michael e Kenneth Burckley, Dico, Felipe Portugal (Mazola), Duda, Lulinha, Leonardo “Ratinho”, Flavinho, Daniel Côrtes, Bruno Bastos e Cauê Benício. Todos eles atuaram no Primeiro Time e muitos brilham ainda hoje nos campos de futebol, seja de forma amadora ou profissional.

  Também existem aqueles que vão ficar sempre na memória dos sócios mais antigos, como os amigos Cadú, Colin e Mário, vítimas de um acidente de carro e que deixaram saudades entre os sócios.

  Falando ainda dos áureos tempos do Primeiro Time, uma das formações mais memoráveis que conta nos anais do clube é a de 1988, tendo como técnico Felipe Portugal e um time de jogadores que serve de exemplo para todas as gerações que têm passado pelo clube. Dos 30 jogos, 22 vitórias, três empates e apenas cinco derrotas. Sem dúvida, um time de campeões.

  Na escalação nomes como Raul, Rubinho, Roberto, Vitor, Aloysio, Lula, Dudu, Zé, Felipe Garrão, Marcelo Fellows, Duda, Dico, Paulo Eduardo, Kenneth, Michael, Ivan, Serginho, Felipe, Carrique e Toninho. Outros nomes também deram sua contribuição, como Maurinho, Fabiano, Ricardo Côrtes, Cadu, Ralph, Ivo, Paulinho Tetéia, Alexandre e Nelrimar.

  Em 1996 o “Primeirão” encantava as tardes de sábado no clube e, doze anos depois, passou a ser chamado de UP30, atingindo o seu feito maior em 2014. Na época, já com média de idade de 35 anos, o time venceu o Exester City (time profissional da 3ª divisão da Inglaterra), com um placar de 1 x 0 conquistado no primeiro tempo. Na escalação jogadores como Cabelinho, Caio, Marcus, Amaral, Bruno Côrtes, Cauli, Bruninho, Cauê e Daniel Côrtes, Gabriel e Rafinha.

  Todos eles comandados por um treinador que atravessa gerações, Cláudio Antunes Benício, ou, simplesmente, Cau, como é conhecido. Considerado lenda viva do futebol no clube, ele deixou sua marca na história do RCAA e ainda permanece como capitão do UP30.


Nos dias atuais

  Hoje, o Primeiro Time, que envolve jogadores dos 20 aos 30 anos, é conduzido pelo capitão do time, Nélio Vitor, que cresceu dentro do clube envolvido pelo futebol e tendo como referência o seu pai Nélio Bastos, excelente armador e ex-diretor do clube. Nélio tem ainda sob sua responsabilidade as crianças das escolinhas de futebol Sub 07, Sub 09 e Sub 13. O Primeiro Time hoje é composto por 15 jogadores.

Segundo Time

  O Segundo Time do Rio Cricket é composto pelos jovens dos 15 aos 20 anos, que começaram no Terceiro Time, aos 13 anos. Com isso, os jovens jogadores vão evoluindo no seu futebol e passando de time em time, de acordo com a idade. Atualmente, os atletas que compõem o Segundo Time são: Pepe, Bruno Abreu, Gustavo, Gabriel Lirio, Paulo Júnior, Edu Lobo, Rafael, João Paulo, Pedro Lirio, Pedro Silva, Arnaldo, Artur, Klauster, David e Gabriel.


UP-30

  Cerca de 90% dos componentes desse time são remanescentes das escolinhas de futebol do Rio Cricket, responsável por introduzir jovens atletas na prática do esporte, seja de forma amadora ou até profissionalmente, como alguns deles chegaram. Um pouco dessa história foi contada no perfil do Primeiro Time.

  No entanto, a turma hoje já está chegando aos 40 anos, tendo em sua composição de 18 a 20 jogadores. O time titular é composto pelos seguintes jogadores: Mazzaropi (gol), Caio Benício, Marcos, Bruno Côrtes, Cauli, Cauê Benício e Daniel Côrtes, João Paulo e no ataque Gabriel e Rafinha, além de Marcelo Konte, Rodrigo Goes e Luis Antônio Gogó.


Veteranos Madeira

  No ano de 2017, o time Veteranos Madeira está completando 43 anos de uma ideia que surgiu quando alguns jogadores, com o objetivo de perpetuar o amor pelo esporte, decidiram fundar um time de veteranos para jogar aos domingos. O grupo na época era composto por Marcos Flávio Côrtes, Brasil, Carlos Ary, Nélio, Cláudio Taves, Cyro, Aloísio, Salvador, Washington, Paulo Grossi e Antonio Mendes.

  Mais tarde Marco Madeira passaria também a agregar valor ao grupo. Embora alguns não façam mais parte do time, o espírito de união e de amizade é o que prevalece até hoje. Depois Marco Madeira acabou se tornando o capitão da equipe. Então, o grupo decidiu rebatizar a confraria de jogadores com o nome de Veteranos Madeira ou Madeirão.

  Ao longo dos últimos 20 anos, o grupo participou de partidas fora do clube, defendendo a camisa do Rio Cricket contra clubes como o SPAC (São Paulo), clube coirmão, e outros clubes de Maricá, Aperibé, Campos do Jordão, Saquarema, Teresópolis, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Porto Real, Lorena, Conservatória e Santos. E sempre o que impera são os laços fraternos e a boa e velha confraternização pós-jogo.

  O time é composto por jogadores na faixa etária dos 40 aos 55 anos, que se reúnem todos os sábados de manhã para manter vivo o espírito de união e da salutar competição que move seus atletas. Na escalação atual fazem parte atletas e amigos há vários anos no Rio Cricket.


Time do Chico

  Criado no final da década de 90, o Time do Chico teve um papel importante no clube: o de esticar o futebol domingueiro pós-racha – uma demanda sentida na época por Marcos Flávio Côrtes. O time também garante aos sócios que, impossibilitados de jogar no sábado, não deixem de praticar o seu futebol do fim de semana.

  Chico, o capitão do time, lembra que tudo começou quando um navio inglês, aportado do outro lado da Baía de Guanabara, tomou conhecimento do Rio Cricket e entrou em contato para realizar um jogo, realizado no domingo do ano de 1999. E, desde então, o time joga religiosamente aos domingos, após o racha.

  Em sua composição estão os jogadores fixos: Zanata (61 anos), Ernani (62), Ismail (59), Cau (69), Chico (55), Aledson (57), Júlio (51), Rômulo (64) e Ivan Miranda (62). Os demais participantes vão chegando na hora para fechar o time, geralmente, na faixa etária dos 40 aos 45 anos. Todos eles jogaram futebol a vida inteira e permanecem em campo por amor ao esporte, a despeito da idade.

UP30 Segundão

  Jogadores oriundos do antigo Segundo Time, que jogavam no sábado à tarde, se juntaram, em abril de 2017, e formaram o UP30 Segundão. O objetivo é manter acesa a paixão pelo esporte em atletas que estão na faixa de idade dos 30 aos 35 anos e que, embora não joguem profissionalmente, curtem uma boa partida de futebol todos os finais de semana. Conduzidos pelo capitão Diego, mais conhecido como Caniggia, os jogadores do UP30 Segundão entram em campo todos os domingos, às 11h30, logo após o time do Chico.

  Na lista de 23 jogadores os nomes elencados são: os goleiros Marcos e Vitor Levi; 02 – Arthur; 03 – Conrado; 04 – Gustavo Longo; 05 – Lucas Biscaia; 06 – Carlinhos (Carlos Longo); 07 – Rico; 08 – Mateus Auer; 09 – Thiaguinho; 10 – Flash Power (Alexandre); 11 – Diego (Caniggia); 12 – Vitinho; 13 – Thiago; 14 – Tuca; 15 – Serginho Clementino; 16 – Marcos Vinícius; 17 – Ericsson; 18 – Samir; 19 – Richard; 20 – Peter Buckler; 21 – Pedro Moreno; 22 – Renato José (eterno camisa 04); 23 – Enrico. A maioria frequentou as escolinhas de futebol do próprio clube.

Racha

  O racha, assim como os outros times do Rio Cricket, guarda muitas histórias para contar. Relatos presentes no livro de Memórias do clube dão conta que o time surgiu em função do hábito do novo sócio “importado” do Japão que nutria grande amor por um esporte: o futebol.

  Logo que passou a compor o quadro social do RCAA, Takeo Tsuji tratou de vestir seu calção, meias brancas, camisa vermelha e chuteiras. Todo domingo, pela manhã, lá ia ele com o filho de seis anos em uma mão e a bola na outra.

  No espaço na lateral do campo oficial de futebol, ele traçava o “gol” com os chinelos e começava a jogar com o seu “discípulo”, seu filho. Quando algum sócio se aproximava para observar o jogo, logo em seguida, vinha o inevitável convite: “qué zogá”?

  O racha acontece religiosamente até hoje, aos domingos, a partir das 8h. Para participar, tem que fazer jus à camisa e madrugar para entrar em um dos dois times. A lista fica à disposição dos jogadores na portaria externa do clube, das 5h às 7h30. Após esse horário, ela é recolhida e são definidos os dois primeiros times que vão jogar. São 22 participantes, sendo 11 jogadores (10 mais o goleiro) em cada time, que jogam o primeiro tempo com duração de 40 a 45 minutos. No segundo tempo, entra a segunda leva.

  Aqueles que chegam cedo têm direito a jogar até mais do que um tempo, o que depende do número de jogadores do dia. Mas, levando-se em consideração a quantidade de jogadores que compõem o time do racha, pode-se dizer que as partidas são bastante disputadas. São 50 jogadores na ativa, mais cerca de 10, nem sempre em campo, mas que fazem questão de estar junto a essa salutar confraria.

  E, depois de muitos lances fantásticos e outros nem tantos, é chegada a hora da famosa resenha, onde os componentes comentam as melhores jogadas. Tudo regado a uma boa cerveja e, muitas vezes, acompanhado de um belo churrasco.

  Na escalação do racha estão Anderson, Aurélio, Beatle, Betão, Biano, Boeira, Boneco, Camilo, Canhão, Canutinho, Canuto, Cesinha, Clementino, Coronel, Egreja, Ernando, Everaldo, Fadel, Fausto, Gabriel (Renatão), Garrincha, Gustavo Longo, Hamilton, Idenir, Josemar, Jean Pierre, Kaka, Leo, Genro (Luis Carlos), Maciel, Paulinho Magalhães, Marcello, Marcinho, Mica, Nando, Otacílio, Rafael, Renatinho, Renatão, Rodrigo, Taveco, Alexandre Vianna, Vidal, Sandro, Raul, Cesar, Duda, Zaff, Pereira, Wilson, Jeovah, Pierre, Rafael Ferreira, Cristiano Pig, Oswaldo, João Balalao, Cristiano, Brandão, Fábio, Ricardo Cortes, Marcelo Ortop, Gabriel Vieira (Biano), Marcos Flávio, Boechat, Pedrão, Leandro Manhães e Luis Paulista.

Os times da Casa

Time
Capitão
Dia da semana
Horário
Local
Veteranos Madeira
Madeira
Sábado
9h às 11h
Campo principal
UP30
Cau Benício
Sábado
11h às 13h
Campo principal
Sub-13
Nélio Vitor
Sábado
13h às 14h
Campo principal
2º Time
Canjica
Sábado
13h às 15h
Campo principal
1º Time
Nélio Vitor
Sábado
15h às 17h
Campo principal
Sub-07
Nélio Vitor
Sábado
9h às 11h
Campo society
Sub-09
Nélio Vitor
Sábado
10h às 11h
Campo principal
Racha
Boeira
Domingo
8h às 10h
Campo principal
Time do Chico
Chico
Domingo
10h
Campo principal
UP30 Segundão
Diego
Domingo
11h30
Campo principal

Rio Cricket: o berço do TÊNIS

        O Rio Cricket guarda a tradição de ter sido o primeiro a sediar uma partida de tênis no Brasil, no ano de sua fundação, 1897, quando ainda era RC&AA. Embora o esporte tenha sido introduzido no país por engenheiros da Light and Power e da São Paulo Railway, já existiam famílias brasileiras que conheciam o tênis em decorrência das suas viagens à Europa. Pode-se dizer que o Rio Cricket, juntamente com o Wahallah em Porto Alegre, é o berço do tênis no Brasil, onde foram construídas as primeiras instalações para a sua prática.

        Após sete anos da introdução do esporte no país, aconteceram os primeiros torneios chamados “nacionais”, mas, que, na realidade, eram estaduais, pois envolviam apenas dois estados na época que tinham acesso ao tênis, Rio de Janeiro e São Paulo. E, se no início os ingleses ganhavam sempre as competições estaduais de modo consecutivo, a partir do sexto torneio essa história se modificou, com o Brasil conquistando sua primeira vitória no tênis pelo talento de Maercio Munhoz, do Paulistano.

        No início, os sócios do RC&AA praticavam o que se chamava na época de lawn tennis ou “tênis de grama”, nome esse que vigorou até o ano de 1960. Interessante destacar o vestuário utilizado para a prática do esporte, bem à moda inglesa, ou seja, com roupas impecavelmente brancas. As primeiras quadras foram construídas no terreno de Icaraí e inauguradas junto com o campo de críquete, em 1898.

        Logo começaram os torneios, muito corriqueiros no RC&AA, tanto que, do primeiro jogo oficial de futebol no Estado do Rio, em 1901, a plateia era composta em sua grande maioria por tenistas. Em 1911, o Rio Cricket chegou a se filiar ao Lawn Tennis Association, uma instituição inglesa criada com o objetivo de não somente difundir o esporte, mas também as suas regras. O tênis era tão aclamado entre os sócios que, em 1914, a diretoria o elegeu como o “jogo para todas as temporadas”. Isso porque em qualquer hora do dia ou da semana existiam jogadores em quadra, praticando o esporte.

        Depois do críquete, o tênis foi a segunda atividade esportiva mais praticada no clube. Mais tarde, com a introdução do futebol, os tenistas ainda se mantiveram religiosos às partidas e aos seus inúmeros torneios internos. Naquele tempo eram nove quadras e todas sendo utilizadas ao mesmo tempo. Não muito diferente de hoje em dia, com as quadras sempre muito bem frequentadas pelos sócios.

        A reproduzir a história do passado, nos dias atuais o tênis é um esporte amplamente praticado por grande parte de seus sócios. Os torneios internos também movimentam as quadras e o ranking entre os sócios possibilita uma disputa salutar entre os tenistas, além das inúmeras confraternizações que acontecem em torno do esporte. A infraestrutura é cada vez mais moderna e adequada, como a inauguração do “Madeira´s Tennis Bar”, totalmente reformulado para abrigar os encontros dos praticantes desse esporte.

        Em todo o momento o tênis vem sendo oxigenado dentro do Rio Cricket, com a introdução de jovens praticantes. O clube também possui esportistas com alto padrão técnico, muitos desses talentos construídos nas nossas escolas de tênis.

SINUCA – um jogo que respira tradição!

        A história da sinuca no Rio Cricket data de mais de 80 anos, quando os ingleses ainda compunham o quadro societário do clube. Naquela época, os jovens menores de 18 anos não podiam entrar na sala, localizada até hoje atrás do bar da sede social. O que dirá as mulheres! Estas, ao precisavam falar com seus maridos, tinham que ser anunciadas na porta do salão com a célebre frase: “Your wife is calling” (sua esposa está chamando).

        Na década de 50, quando não estavam em campo, jogando críquete, rúgbi ou bowls, entre outros esportes, os sócios praticavam o que se chamava na época de bilhar (nome genérico dado a jogos de mesa com tacos e bolas). Naquele tempo, não somente os equipamentos e acessórios eram ingleses, como também as regras, como as quinze bolas vermelhas encerradas no triângulo. E os jogos aconteciam nas famosas Burroughes & Watts de dimensões maiores que as mesas nacionais, com 4,20m de comprimento por 1,85 m de largura, doação de Harry Hagens, um sócio inglês. As disputas perduravam o ano inteiro.

        Hoje algumas mudanças são nítidas, como a forma de jogar, não mais à moda inglesa. Nas regras brasileiras, as oito bolas coloridas são impulsionadas pela branca e possuem valores de um a sete pontos. Em contrapartida, o esporte continua sendo praticado essencialmente por homens.  Um público seleto de 31 “sinuqueiros” que se debruçam sobre as famosas mesas centenárias nas noites de terças e quintas-feiras, das 19h às 23h. Os jogos são lançados nos antigos marcadores de partida, assim como os tacos são originalmente ingleses.

        Alguns brilhantes jogadores são lembrados pelos sócios mais antigos, como João Grossi, Miranda, Celso Jacour, Renato Canela, Clodoaldo, Guarani, Mário Newton, Jorge Peregrino, Aldo e General Homero, entre outros.

BEACH TENNIS chega ao Rio Cricket

        Uma iniciativa da nova diretoria do Rio Cricket, presidida por Marcos Flávio Côrtes, trouxe o beach tennis para o clube no ano de 2017. Com o objetivo de estimular cada vez mais a presença do público feminino nas atividades esportivas do clube, a iniciativa não poderia apresentar melhor resultado. O BT tem despertado o interesse não somente das mulheres, como também dos homens, que são presença garantida.

        Criado na Itália, em 1997, o esporte aportou dez anos depois nas areias de Ipanema, trazido por um turista italiano. No Rio Cricket, a contratação de uma professora para ensinar as técnicas e as regras do jogo ajudou na divulgação do esporte dentro do clube. Por ser um jogo dinâmico e facilmente praticado por qualquer pessoa, seja adulto ou criança, o esporte tem ganhado muitos adeptos no RCAA.

        Guardadas as diferenças, o beach tennis é uma mistura de tênis tradicional com vôlei de praia, badminton e frescobol. A contagem do jogo é semelhante ao do tênis, com os jogos sendo realizados também em sets. Entretanto, esses sets se diferenciam quando a categoria é amadora ou profissional. Na primeira, o jogo se divide em um set com seis games, enquanto na profissional são dois sets de seis games, sendo o terceiro o time break.

        A contagem é 15, 30 e 40 e um último ponto para fechar o game. Ao contrário do tênis, não existe vantagem e outra diferença crucial está na oportunidade de saque, sendo apenas uma no BT. Os jogos podem ser realizados em duplas ou simples, sendo a primeira mais comumente praticada. As categorias são masculinas, femininas e mistas.

        Hoje existem cerca de 500 mil participantes da modalidade pelo mundo, com campeonatos mundiais.